sexta-feira, 21 de abril de 2017

Ubuntu e meias

O nome "Ubuntu" deriva do conceito sul africano de mesmo nome, diretamente traduzido como "humanidade com os outros" ou "sou o que sou pelo que nós somos".
"Uma pessoa com Ubuntu está aberta e disponível para outros, apoia os outros, não se sente ameaçada quando outros são capazes e bons, baseada em uma autoconfiança que vem do conhecimento que ele ou ela pertence a algo maior e é diminuída quando os outros são humilhados ou diminuídos, quando os outros são torturados ou oprimidos.”
[Wikipedia]
Eu uso o sistema operacional Ubuntu já faz tempo, e já usava outras distribuições Linux. Mas não uso só Ubuntu, também sou usuário de Windows, Não sou uma aficionado.
Um exemplo que já ouvi várias vezes para explicar o conceito "Ubuntu" é o de uma caixa de chocolates colocada ao pé de uma árvore. Para algumas crianças é dito que aquela que chegar primeiro ficará com os chocolates. As crianças com Ubuntu se dão as mãos e chegam juntas à árvore, repartem os chocolates que pertencem à todas.
Esse exemplo é belo, porém irreal. Todos que o ouvem duvidam da possibilidade disso existir.
Pensei então em um exemplo real. Uma casa com oito irmãos de idades variadas. Com tanta gente tudo é superlativo, comida, bebida, sujeira, roupas. Se cada um usar um par de meias por dia, são 8 pares por dia, 56 pares por semana. Imagine lavar, secar, separar e guardar todas essas meias! Qual meia é de quem?
A solução é um meial, todas as meias lavadas e secas em um cesto comum. Cada um vai ao meial pega a meia que quer usar e pronto.
Isso é Ubuntu!


sexta-feira, 10 de março de 2017

IV e V Turma de Engenharia de Produção - Discurso

Senhoras e senhores, boa noite.
Com o sentimento de elevada gratidão pela lembrança de meu nome, venho hoje falar de limites. A engenharia, como atividade humana, começa pela necessidade de transpor limites. Ao limite do rio, a ponte que o atravessa; ao limite do ar, o avião que o sobrevoa. E assim, surge a engenharia, transpondo limites.
O homem decifra equações, inventa ferramentas e supera os limites que a natureza impõe. Se há o limite da força de um braço, há alavanca que multiplica essa força.
Mas não só os limites da natureza. Os engenheiros são criativos para superar os limites que os outros homens impõem, que a sociedade nos apresenta. Se não é possível fazer desse jeito, façamos de outro.
Nesse sentido um curso de engenharia é uma sequência de limites que o aluno transpõe. Não é mesmo?
Alunos que se forma em engenharia tem que ser criativos nas madrugadas para aprender essa ou aquela matéria.
Depois de formados terão de enfrentar e transpor novos limites.
É o que se apresenta.
Obrigado.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O peru


Acordei outro dia com uma música na cabeça, o que me ocorre com certa frequência e sempre com um motivo. Nem sempre consigo descobrir o motivo. Dessa vez foi fácil.
A música era "Glu, glu, glu, abram alas pro peru..." do poema de Vinícius no disco A Arca de Noé.
E o motivo dessa música se instalar em minha mente foi o fato de ter sido acordado pelo som do peru, tão característico.
Meu vizinho está com um peru, não o vizinho do lado, mas o de uma casa que fica do outro lado do quarteirão, longe o suficiente para que o som do peru não seja tão incômodo e perto o suficiente para ouvir quando se instala o silêncio.
Não me atrapalha, na verdade até gosto.
Comecei a imaginar o que o peru estaria querendo dizer, se está preso ou só engordando para uma festa. Achei que seria mais interessante se eu colocasse um nome e não o chamasse somente de peru. Escolher o nome também foi fácil: Pedro.
E assim caminha a humanidade....

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Meu mamoeiro se foi....


Sem que eu plantasse, desejasse ou tomasse qualquer ação, um mamoeiro brotou bem ao lado da janela da sala.
E eu nem sabia que era um mamoeiro. O jardineiro sugeriu cortar, pois devia ser macho e não dar mamão saboroso. Eu não deixei. Confiei na natureza que me ofereceu sem que eu pedisse.
O mamoeiro cresceu e frutificou. Mamões deliciosos e pequenos. Muito saborosos, de pegar no pé antes que os passarinhos ou morcegos comessem.
Eu sempre gostei de imaginar o mamoeiro como um exemplo daquelas coisas para as quais não temos controle. Não fiz nada, nem de bom, nem de mau. Mesmo assim recebi esse presente. Durante o período de seca do ano passado o mamoeiro parou de dar frutos, mesmo assim cresceu. Com as chuvas, voltou a frutificar, dessa vez bem mais alto.
Com todas as chuvas que caíram recentemente o solo ficou muito mole e o mamoeiro muito alto. Ontem à noite o mamoeiro caiu.
Recolhi os frutos, limpei o terreno e segui com o exemplo que a natureza me deu.
Para certas coisas não temos controle. Devemos ter sabedoria para aceitá-las.



Para minha alegria o novo jardineiro já detectou mais 3 pés de mamão no fundo do quintal. A natureza segue seu ritmo!

domingo, 22 de janeiro de 2017

Vidros, Amores, Líquidos


A figura acima é Falco/Pixabay e mostra uma janela de uma catedral. Coloquei para lembrar de uma questão antiga: O vidro é sólido ou líquido? Dizem que vidros de catedrais antigas apresentam uma espessura maior na base por terem escorrido. Ou seja, se tivéssemos uma câmera que fotografasse o vidro bem lentamente e apresentasse tudo de um só vez, fazendo com que 300 anos passassem em em 30 segundos, veríamos o vidro escorrendo como água.
Essa questão pode ser resolvida com uma busca simples no Google.
Meu ponto é que com uma supervelocidade veríamos as coisas de modo diferente, veríamos o que é sólido como se fosse líquido.
O que remete a um outro ponto.
Não faz muito tempo ganhei de uma pessoa, na certa um pouco brava comigo, o livro "Amor Líquido" de Bauman no qual é apresentada a ideia de que as relações se misturam e se condensam com laços momentâneos, frágeis e volúveis. Num mundo cada vez mais dinâmico, fluído e veloz. Seja real ou virtual.
Talvez as coisas estejam ligadas. Talvez as relações humanas não estejam se tornando líquidas, mas sim estamos vivendo em altíssima velocidade. Perdendo o prazer da caminhada, transformando o que é sólido em líquido.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Eu odeio as segundas-feiras

Meu pai acordava cedo aos domingos, dizia ele que era para aproveitar mais o dia. Eu não o entendia.
Minha mãe considerava o domingo o pior dia da semana e eu também não entendia.
Depois de velho não consigo ficar muito tempo na cama e entendo meu pai, um domingo com coisas prazerosas a fazer deve ser aproveitado integralmente e aí ficar na cama é perda de tempo.
Demorei menos para entender minha mãe, para uma dona de casa o domingo significa mais trabalho e todos em casa demandando coisas, comendo, bebendo, fazendo mais sujeira e bagunça. Desse ponto de vista a segunda-feira é um ótimo dia.
A frase do título do post ficou famosa com o gato Garfield. O que não faz muito sentido, pois o gato não tem que ir para a escola ou um trabalho.

E nós usamos o ódio à segunda-feira do mesmo jeito que o amor pela sexta-feira. Para reforçar a ideia do trabalho como uma obrigação e o fim de semana como diversão pura.

No entanto, quem mais tem horror às segundas-feiras é quem não tem um trabalho para ir e nesse dia tem que enfrentar a realidade de um dia sem uma ocupação.

sábado, 17 de dezembro de 2016

O bem que se tem

Hoje acordei com uma música na cabeça “Comida e Bebida” de José Miguel Wisnik e José Celso Martinez. Especialmente um verso: “O bem que se tem e que se detém”.
Pensava no bem que se faz e por oposição no mal que se faz também. E tanto o bem que se faz e o mal que se faz podem se deter ou não em quem os recebe ou em quem os provoca. No fim das contas é guardar o bem que se tem e nos livrarmos do mal que foi feito.
Nesse fim de ano, nos momentos de reflexão e considerações sobre o bem que pudemos fazer, sobre o bem que recebemos, eu me lembrei das várias vezes que recebi um bem. Num olhar, numa conversa, numa admoestação, numa corrigida de rumo ou num incentivo. Esse bem está guardado. Obrigado.



Comida e Bebida
José Miguel Wisnik / José Celso Martinez
Só duas coisas têm valor na vida:
comida e bebida
comida e bebida
comida é terra
deusa terra
dê-me terra
tua velha conhecida
que você chama
pelo nome que te apraz
pois com comida sólida
ela dá de mamar
ela dá de mamar
ela dá de mamar
aos mortais
agora soma para multiplicar bebida
que o filho de Sêmele trouxe divino
do fruto molhado da vinha
embebedando os mortais
e liquidando os seus ais
trazendo o sonho o apagamento
dos endividamentos de cada dia
um deus que aos deuses se dá
um deus que se põe ao dispor
não há melhor drogaria pra dor
a ele que se deve o que se dá e se recebe
o bem que se tem e que se detém
um messias que se bebe