Estamos num inverno com jeito de verão. Com jeito mesmo, não um veranico qualquer, mas um verão de verdade. A mudança climática está aí para ninguém negar.
Eu sou meio imune ao clima, quase uma lagartixa. Se está frio tudo bem, se está calor também. Custo a colocar um casaco, mas também custo a tirar. Quase nunca mexo no ar-condicionado. Por isso, quando me perguntam se gosto mais de frio ou calor, ou qual a minha estação preferida eu nunca sei responder.
Ou melhor, sei. Mas a resposta é um pouco mais longa e elaborada. O clima em si não me comove, mas a mudança do clima sim.
Aquele verão calorento e ensolarado do dia anterior se transforma em uma manhã cinzenta, fria e úmida, pronto. Minha alma se alegra e eu saio feliz da cama.
O oposto também me anima. Depois de dois dias de uma garoa que me prende em casa e embolora a alma o dia se abre com um sol tímido mas iluminado. De novo estou contente e feliz.
A mudança do clima me faz sentir que o mundo se move, se altera e está aberto para todas as possibilidades. Isto é vida e vida me alegra.
Das estações tenho um gosto particular para cada uma delas. O inverno faz com que nos aproximemos e sejamos mais acolhedores. O outono provê dias abertos e claros, longos e amplos. O verão enche as ruas de cores e alegrias contagiantes. A primavera tem sua essência de beleza que é um dos nomes do deus amor.