domingo, 22 de janeiro de 2017

Vidros, Amores, Líquidos


A figura acima é Falco/Pixabay e mostra uma janela de uma catedral. Coloquei para lembrar de uma questão antiga: O vidro é sólido ou líquido? Dizem que vidros de catedrais antigas apresentam uma espessura maior na base por terem escorrido. Ou seja, se tivéssemos uma câmera que fotografasse o vidro bem lentamente e apresentasse tudo de um só vez, fazendo com que 300 anos passassem em em 30 segundos, veríamos o vidro escorrendo como água.
Essa questão pode ser resolvida com uma busca simples no Google.
Meu ponto é que com uma supervelocidade veríamos as coisas de modo diferente, veríamos o que é sólido como se fosse líquido.
O que remete a um outro ponto.
Não faz muito tempo ganhei de uma pessoa, na certa um pouco brava comigo, o livro "Amor Líquido" de Bauman no qual é apresentada a ideia de que as relações se misturam e se condensam com laços momentâneos, frágeis e volúveis. Num mundo cada vez mais dinâmico, fluído e veloz. Seja real ou virtual.
Talvez as coisas estejam ligadas. Talvez as relações humanas não estejam se tornando líquidas, mas sim estamos vivendo em altíssima velocidade. Perdendo o prazer da caminhada, transformando o que é sólido em líquido.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Eu odeio as segundas-feiras

Meu pai acordava cedo aos domingos, dizia ele que era para aproveitar mais o dia. Eu não o entendia.
Minha mãe considerava o domingo o pior dia da semana e eu também não entendia.
Depois de velho não consigo ficar muito tempo na cama e entendo meu pai, um domingo com coisas prazerosas a fazer deve ser aproveitado integralmente e aí ficar na cama é perda de tempo.
Demorei menos para entender minha mãe, para uma dona de casa o domingo significa mais trabalho e todos em casa demandando coisas, comendo, bebendo, fazendo mais sujeira e bagunça. Desse ponto de vista a segunda-feira é um ótimo dia.
A frase do título do post ficou famosa com o gato Garfield. O que não faz muito sentido, pois o gato não tem que ir para a escola ou um trabalho.

E nós usamos o ódio à segunda-feira do mesmo jeito que o amor pela sexta-feira. Para reforçar a ideia do trabalho como uma obrigação e o fim de semana como diversão pura.

No entanto, quem mais tem horror às segundas-feiras é quem não tem um trabalho para ir e nesse dia tem que enfrentar a realidade de um dia sem uma ocupação.

sábado, 17 de dezembro de 2016

O bem que se tem

Hoje acordei com uma música na cabeça “Comida e Bebida” de José Miguel Wisnik e José Celso Martinez. Especialmente um verso: “O bem que se tem e que se detém”.
Pensava no bem que se faz e por oposição no mal que se faz também. E tanto o bem que se faz e o mal que se faz podem se deter ou não em quem os recebe ou em quem os provoca. No fim das contas é guardar o bem que se tem e nos livrarmos do mal que foi feito.
Nesse fim de ano, nos momentos de reflexão e considerações sobre o bem que pudemos fazer, sobre o bem que recebemos, eu me lembrei das várias vezes que recebi um bem. Num olhar, numa conversa, numa admoestação, numa corrigida de rumo ou num incentivo. Esse bem está guardado. Obrigado.



Comida e Bebida
José Miguel Wisnik / José Celso Martinez
Só duas coisas têm valor na vida:
comida e bebida
comida e bebida
comida é terra
deusa terra
dê-me terra
tua velha conhecida
que você chama
pelo nome que te apraz
pois com comida sólida
ela dá de mamar
ela dá de mamar
ela dá de mamar
aos mortais
agora soma para multiplicar bebida
que o filho de Sêmele trouxe divino
do fruto molhado da vinha
embebedando os mortais
e liquidando os seus ais
trazendo o sonho o apagamento
dos endividamentos de cada dia
um deus que aos deuses se dá
um deus que se põe ao dispor
não há melhor drogaria pra dor
a ele que se deve o que se dá e se recebe
o bem que se tem e que se detém
um messias que se bebe


terça-feira, 22 de novembro de 2016

Charadas

"Bom dia meu filho, mas não sou seu pai."

Acho que ouvi essa charada no berço, ou logo depois disso. Minha lembrança de ter entendido e resolvido essa  charada está ligada a alegria de descortinar um mundo novo.
Resolver charadas, problemas, desafios lógicos sempre fez parte da minha vida. Revistas de palavras-cruzadas sempre estiveram no meu ambiente.
Com o tempo fui aumentando o nível de dificuldade e conhecendo passatempos também em inglês.
Porém o que mais me encantava era a criação dos passatempos, quando comecei a programar computadores esse foi o meu maior desafio: elaborar programas para criar passatempos.
Hoje faço isso por pura diversão.
Juntando isso ao costume alemão de oferecer pequenos presentes a cada dia do Advento, iniciando em primeiro de dezembro e indo até o natal, eu montei um conjunto de charadas, uma para cada dia, como presente de natal para quem sente a mesma alegria de resolver charadas.
Chamei isso de Desafio Muroa do Advento.
Conto com a colaboração de pais, tios, tias, irmãos e amigos para  montar e me divirto imensamente ao entrar em contato com as pessoas.
Se você gosta de charadas experimente o Desafio Muroa do Advento de 2016, a página já está disponível em www.deassismoura.com.br/muroa. Os passatempos só ficam disponíveis a partir de 1º de dezembro.

domingo, 6 de novembro de 2016

Justa premiação

Outro dia eu escrevi sobre chefes-tartaruga, aqueles que se estão em cima de uma árvore é porque alguém os colocou lá.
Listei então os meus chefes e quais eu achava merecedores do cargo.
Hoje fico sabendo de dois colegas de trabalho que se tornaram amigos vão ser homenageados pela Associação de Engenheiros da Sabesp. Os dois não foram meus chefes, mesmo assim pude admirar várias qualidades e sei que a premiação é justa.
Fico contente, orgulhoso e feliz em saber que esses meus amigos estão sendo reconhecidos. É uma alegria.

Cuco

O relógio Cuco sempre fez parte da minha vida. A primeira lembrança é do relógio caindo na cabeça da minha prima, ela ficou com um corte e o relógio perdeu o enfeite superior.
Na minha imaginação infantil o peso do relógio era o que havia de mais pesado no mundo!
Várias e várias vezes tentei fazer um relógio cuco com caixa de Catupiry e pilhas grandes como peso. De concreto mesmo eu consegui fazer um de madeira balsa e uma máquina de relógio a pilha.
Depois que sai da casa dos meus pais um novo relógio cuco me acompanhou.
Nas corridas na Alemanha eu me alegrava de ouvir o passarinho com o canto exatamente igual ao do relógio.
Agora o meu relógio cuco também veio para Ituiutaba. Na pressa de colocar na parede eu fixei mal e o relógio caiu. Os enfeites quebraram, a haste do pêndulo entortou e a caixa de som do "Co" quebrou.
Era a oportunidade que eu precisava para dar vazão ao meu lado relojoeiro. Gastei duas semanas na tarefa e agora o relógio está de volta. Veja no filme que lindo é ter um cuco dentro de casa.



quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Numeração de páginas

Nem faz tanto tempo assim. Recebi uma ligação da minha  mãe para tentar resolver um problema urgente, minha irmã iria entregar o trabalho final do curso  de pós-graduação e o professor exigia que o trabalho estivesse de acordo com as normas da ABNT.
Até aí tudo bem. Referências feitas, espaçamentos, tamanho de página, margens...o problema se deu na numeração das páginas.
Ou seja, o documento tem  que ter uma parte sem numeração e outra com numeração, só que os números seguem de forma contínua.
Minha irmã estava irritadíssima com o programa Word que não fazia o  que ela queria e pior, fazia o que ela não queria. Quando mudava uma coisa outras mudavam sem controle.
Ela já estava considerando imprimir tudo e passar um corretor, ou até mesmo numerar as páginas à mão.
Eu resolvi o problema muito  rapidamente, mas só porque  já tinha passado essa raiva uma vez.

Agora a outra parte da história.

A semana da engenharia de produção foi na semana passada e os alunos vieram me pedir cursos que poderiam atrair os alunos e que falassem de coisas que não são vistas  normalmente nas aulas. Imediatamente tive a ideia de um mini-curso sobre como usar o Word para escrever textos acadêmicos. O curso foi aceito e na última quinta-feira eu ministrei esse curso.
Os tópicos foram: Criação de modelos, estilos, formatação de páginas, legendas, figuras, tabelas, índices, referências e o último tópico foi sobre numeração de páginas.
Estava todo feliz em poder compartilhar esse documento e reduzir o sofrimento de alguns.
Infelizmente o curso teve uma adesão baixíssima, somente 6 alunos. Uma pena.