Folhas de caderno único para redações. Era assim que fazíamos quando estava no segundo ano, lá pelos idos de 1976. Fazíamos a redação como lição de casa e entregávamos a folha para a professora que devolvia com as correções. Chamamos isso de fichário hoje em dia, só que eram da metade do tamanho.
Não era das tarefas mais agradáveis, mas também não era tão ruim assim. Dava para imaginar coisas bem divertidas.
Lembro-me especialmente de uma redação que fiz sobre cinco amigos que entraram floresta adentro. Em um dado momento um deles resolve ir sozinho e se perde do grupo. Escrevi assim:
Havia um indo...
Só que a professora se confundiu com minha letra, ou estava com muita pressa, não sei, e corrigiu a palavra indo para índio. Enfim, entrou um índio na história e ficou estabelecida a confusão.
Confusões como essa aconteceram inúmeras vezes, muitas quando de correções do mestrado e do doutorado. Lembro de mudar algo de A para B e na outra revisão receber a sugestão de mudar de B para A. Mudanças no título de trabalho, então, nem se fala.
Não ficava irritado com isso, lembrava da história do índio.
Hoje, sou eu que faço as sugestões nos trabalhos dos meus alunos. A população de índios segue aumentando.
domingo, 13 de setembro de 2015
sexta-feira, 21 de agosto de 2015
O segundo melhor presente do dia dos pais
Que o dia dos pais tem um apelo comercial maior do que deveria, não é novidade para ninguém. Mesmo assim é bom ter datas específicas para nos lembramos de comemorar alguns fatos.
Presentes dos dias dos pais nos lembram gravatas, aparelhos de barbear e outras coisas assim bem masculinas.
Eu ganhei os porta-canetas, porta copos e canecas ao longo dos anos como pai. Sempre fiquei feliz com esses presentes.
Da convivência com os filhos o mais importante é o que a gente consegue fazer juntos, aquilo que passa de pai para filho e continua. Meu pai transmitiu o gosto por música. Ouvir com admiração, se deleitando com o prazer que música nos dá. Também acho que passei isso para minha filha.
Acontece que o gosto musical vai mudando de geração para geração, e também muda com a idade. Não dá para querer que os filhos jovens gostem de músicas de velhos, e nem que velhos gostem de músicas dos jovens. Em algum momento pode acontecer do jovem já não ser mais tão jovem e o velho não ser tão velho e então acontece do gosto musical coincidir.
Minha filha percebeu esse momento e me deu de presente um pen-drive com músicas que gostamos juntos: Clarice Falcão, Anavitória, Banda do Mar, Tiago Iorc e 5aSeco, do qual sugiro: Geografia Sentimental.
Foi o segundo melhor presente que ganhei nos dias dos pais!
E o melhor?
O melhor foi quanto soube que ia ser pai!
Presentes dos dias dos pais nos lembram gravatas, aparelhos de barbear e outras coisas assim bem masculinas.
Eu ganhei os porta-canetas, porta copos e canecas ao longo dos anos como pai. Sempre fiquei feliz com esses presentes.
Da convivência com os filhos o mais importante é o que a gente consegue fazer juntos, aquilo que passa de pai para filho e continua. Meu pai transmitiu o gosto por música. Ouvir com admiração, se deleitando com o prazer que música nos dá. Também acho que passei isso para minha filha.
Acontece que o gosto musical vai mudando de geração para geração, e também muda com a idade. Não dá para querer que os filhos jovens gostem de músicas de velhos, e nem que velhos gostem de músicas dos jovens. Em algum momento pode acontecer do jovem já não ser mais tão jovem e o velho não ser tão velho e então acontece do gosto musical coincidir.
Minha filha percebeu esse momento e me deu de presente um pen-drive com músicas que gostamos juntos: Clarice Falcão, Anavitória, Banda do Mar, Tiago Iorc e 5aSeco, do qual sugiro: Geografia Sentimental.
E o melhor?
O melhor foi quanto soube que ia ser pai!
terça-feira, 11 de agosto de 2015
Pronome possessivo invertido
Pronomes possessivos são, segundo a gramática, palavras que,
ao indicarem a pessoa gramatical (possuidor), acrescentam a ela a ideia de
posse de algo (coisa possuída). Ou seja, indicam que alguém possui
alguma coisa. Meu caderno (o caderno me pertence, eu possuo um caderno). Sua caneta
(a caneta pertence a você, você possui uma caneta).
Esse fim de semana tive a feliz ideia de visitar um amigo
muito querido, distante no tempo e no espaço, e próximo das emoções. Já se
passavam quase vinte anos que não nos víamos, algumas trocas de
correspondências, alguns e-mails. Não muitos, o que é uma pena.
Fui sem avisar, porque a viagem é longa e não sabia se seria
possível. Não quis criar uma falsa expectativa, nem para mim e muito menos para
ele.
Ele me reconheceu imediatamente ao me ver no portão e fomos
conversando, falando, entrando na casa, indo para a cozinha, tomando um café,
enfim sendo de casa, como se eu tivesse passado ali ontem e não no século
passado. Assim são os amigos.
Lá pelas tantas uma frase solta no ar me chamou a atenção: “como
diz o meu amigo….”
Esse ‘meu’ é um pronome possessivo, indica a posse. Se ele é
meu amigo eu tenho essa posse.
Nesse caso acho que a gramática deveria encontrar uma nova
classificação, nesse caso deveria ser pronome possessivo invertido. Aos meus amigos
não há posse e sim oferta. Dos meus amigos eu recebo sem nenhuma contrapartida,
serenamente, a amizade. E dos que, para minha felicidade, podem falar de mim como seu
amigo, há a oferta também serena e tranquila da amizade.
domingo, 4 de maio de 2014
Abrindo portas
Não haverá nunca uma porta....
Pode um vaticínio ser mais definitivo que esse? E logo em seguida a sentença final: Estás dentro!
Não há porta de saída, porque você já está dentro.
Essa visão do Labirinto de Borges (obrigado, Ana T.) me motivou a iniciar o blog, por isso o título.
Mas não é porque não há uma porta de saída que eu vou ficar parado, ao contrário, vou caminhar, correr, virar o mundo e conhecer esse labirinto. Aliás, quem disse que quero sair? Se não entrei, porque sair?
Ah... tem o touro. Mas o vaticínio do labirinto afasta até a possibilidade de o encontrar: “Não esperes a investida do tauro, que é humano, e cuja estranha forma plural dá a horror à maranha de interminável pedra entretecida.”
Não vou encontrar o touro, mas mesmo assim vou procura-lo. Seja em Santa Bárbara, seja em Ituiutaba, seja no Alasca (obrigado G & S), seja em mim mesmo.
Nessa segunda começo minha atividade como professor na Universidade Federal de Uberlândia, Campus Pontal em Ituiutaba.
Aguarde notícias.
Pode um vaticínio ser mais definitivo que esse? E logo em seguida a sentença final: Estás dentro!
Não há porta de saída, porque você já está dentro.
Essa visão do Labirinto de Borges (obrigado, Ana T.) me motivou a iniciar o blog, por isso o título.
Mas não é porque não há uma porta de saída que eu vou ficar parado, ao contrário, vou caminhar, correr, virar o mundo e conhecer esse labirinto. Aliás, quem disse que quero sair? Se não entrei, porque sair?
Ah... tem o touro. Mas o vaticínio do labirinto afasta até a possibilidade de o encontrar: “Não esperes a investida do tauro, que é humano, e cuja estranha forma plural dá a horror à maranha de interminável pedra entretecida.”
Não vou encontrar o touro, mas mesmo assim vou procura-lo. Seja em Santa Bárbara, seja em Ituiutaba, seja no Alasca (obrigado G & S), seja em mim mesmo.
Nessa segunda começo minha atividade como professor na Universidade Federal de Uberlândia, Campus Pontal em Ituiutaba.
Aguarde notícias.
sábado, 29 de março de 2014
Escolha - Wahl
"Que nossas escolhas transformem o mundo e nos permitam a Vida que valha a pena." - B.P.
Eu quase que comecei esse post com #partiu Ituiutaba.
Mas não é uma partida, é uma escolha. Uma escolha com o desejo da frase acima (obrigado, Barbara).
Em maio vou assumir o cargo de professor na Universidade Federal de Uberlândia, campus de Ituiutaba. Passei no concurso e fui chamado.
Agora é ir e começar a carreira acadêmica com determinação.
Eu sempre estive com os pés na carreira acadêmica e na carreira corporativa. Uma hora a definição teria que chegar, não imaginei que seria agora. A princípio achei que ainda ficaria na carreira corporativa por mais algum tempo e só depois iria para a academia em definitivo.
Mas o tempo chegou e a escolha está tomada. Acredito fortemente que poderei mudar meu mundo e o mundo dos meus alunos e que também me seja permitida uma Vida que valha a pena.
Eu quase que comecei esse post com #partiu Ituiutaba.
Mas não é uma partida, é uma escolha. Uma escolha com o desejo da frase acima (obrigado, Barbara).
Em maio vou assumir o cargo de professor na Universidade Federal de Uberlândia, campus de Ituiutaba. Passei no concurso e fui chamado.
Agora é ir e começar a carreira acadêmica com determinação.
Eu sempre estive com os pés na carreira acadêmica e na carreira corporativa. Uma hora a definição teria que chegar, não imaginei que seria agora. A princípio achei que ainda ficaria na carreira corporativa por mais algum tempo e só depois iria para a academia em definitivo.
Mas o tempo chegou e a escolha está tomada. Acredito fortemente que poderei mudar meu mundo e o mundo dos meus alunos e que também me seja permitida uma Vida que valha a pena.
terça-feira, 25 de março de 2014
Presente intempestivo
Uma nova fase começa, o que significa também que uma outra fase se encerra. Estive vinculado, de várias formas, à Unimep desde 2001.
Nesse período fui aluno, professor, pesquisador, coordenador de curso e coordenador de TI. O que mais me encantou foi gerenciar a Incubadora de Empresas de Santa Bárbara.
Muitas portas se abriram, muitas novidades aconteceram e mais do que tudo conheci pessoas maravilhosas. Pessoas empreendedoras são otimistas por sua própria natureza, tendem a ver o lado positivo das coisas e avançar, sempre avançar não importam quais obstáculos se apresentem.
A saída da Unimep foi uma decisão madura e pensada. Ter que deixar a Incubadora foi um preço a pagar.
Na saída fui surpreendido pelo carinho das pessoas de lá que me deram um presente intempestivo. Intempestivo não no sentido de inoportuno, mas no sentido de que não vem no tempo certo.
Ganhei um relógio com monitor cardíaco. Fiquei muito emocionado e grato. Meu coração balançou e eu precisava estar usando o relógio para controlar os batimentos.
A todos da Incubadora meu muito obrigado e que tenham a certeza de que fui muito feliz trabalhando com vocês.
Cada batimento anotado pelo relógio será uma lembrança de vocês.
Nesse período fui aluno, professor, pesquisador, coordenador de curso e coordenador de TI. O que mais me encantou foi gerenciar a Incubadora de Empresas de Santa Bárbara.
Muitas portas se abriram, muitas novidades aconteceram e mais do que tudo conheci pessoas maravilhosas. Pessoas empreendedoras são otimistas por sua própria natureza, tendem a ver o lado positivo das coisas e avançar, sempre avançar não importam quais obstáculos se apresentem.
A saída da Unimep foi uma decisão madura e pensada. Ter que deixar a Incubadora foi um preço a pagar.
Na saída fui surpreendido pelo carinho das pessoas de lá que me deram um presente intempestivo. Intempestivo não no sentido de inoportuno, mas no sentido de que não vem no tempo certo.
Ganhei um relógio com monitor cardíaco. Fiquei muito emocionado e grato. Meu coração balançou e eu precisava estar usando o relógio para controlar os batimentos.
A todos da Incubadora meu muito obrigado e que tenham a certeza de que fui muito feliz trabalhando com vocês.
Cada batimento anotado pelo relógio será uma lembrança de vocês.
Pregar aos peixes
Passei no concurso para professor na Universidade Federal de Uberlândia, Campus Pontal, em Ituiutaba.
Estava um pouco chateado com o concurso da Unicamp e um pouco descrente dos concursos que incluem critérios por demais subjetivos, mesmo assim fiz o concurso e passei.
Feito isso era pensar em assumir ou não. De um lado a carreira acadêmica pura. De outro a possibilidade de atuar no mundo corporativo e eventualmente dar aulas, que era o que eu vinha buscando.
Pesei prós e contras. Utilizei a técnica de tomar a decisão e dormir, para ver se o sono vinha tranquilo ou agitado. Consultei o I-Ching. Mas nada me dava a tranquilidade da decisão.
Então fui à Catedral de Santo Antonio em Piracicaba, que é até modesta considerando a cidade e o santo.
Os vitrais laterais da catedral tem imagens dos milagres de Santo Antonio, em um deles o de Santo Antonio pregando aos peixes (a figura não é da Catedral). E essa imagem me deu a indicação da minha decisão. O que mais gosto de fazer é dar aulas, é isso que me faz feliz. Outras atividades completam o meu fazer.
Sendo assim a decisão está tomada. Assumo o cargo de professor em Ituiutaba no começo de maio.
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