Voltando para casa, perdido nos meus pensamentos em cima da bicicleta. Não nos pensamentos, mas em um pensamento específico: a memória. Minha vida é a minha memória? Se é isso então o mal que o Alzheimer faz é acabar com a vida e não trazer a morte.
Nesse pensamento me veio o título desse post: Intacta Memória.
Claro que eu vi isso em algum lugar, claro que não faz sentido. A minha memória não fica intacta, eu a torturo para guardar o que quero, eu a bombardeio repetindo lembranças. Intacta? Nunca!
Chegando em casa fui direto ao Google e encontrei um poema de Sophia Andressen, que eu conhecia por ser a mãe do escritor Miguel de Sousa Tavares.
Intacta Memória
Intacta memória – se eu chamasse
Uma por uma as coisas que adorei
Talvez que a minha vida regressasse
Vencida pelo amor com que a lembrei.
Sophia de Mello Breyner Andresen (Porto, 6/11/1919 – Lisboa, 2/7/2004)
Não fiquei torturando minha memória para saber se eu conhecia ou não. Porque a resposta veio em seguida. Eu me lembrei de "Intacta Retina" da música Cajuína do Caetano e aí misturei com meu pensamento.
Enfim, minha memória não está intacta, está em contínua mudança, alguns claros eu preencho com boas conversas com as pessoas que convivi. O que esqueço, esqueço. E vou tentando ir preenchendo minha vida de memórias boas a cada dia.
sexta-feira, 12 de agosto de 2016
domingo, 31 de julho de 2016
Presente
Nem faz tanto tempo assim, eu pensei em que a medida da vida deveria ser a capacidade de receber presentes.
O estopim para esse pensamento foi o fato de ter ganho uma meia e uma crônica do Luís Fernando Veríssimo sobre ganhar meias e o pior, ganhar meias de lã.
O pensamento era assim, enquanto podemos receber presentes vale a pena viver. Enquanto conseguirmos ver, ouvir, ler e compreender com clareza sempre vai ter um livro ou filme que se recebe numa demonstração de carinho. Quando não conseguimos mas aproveitar qualquer tipo de presente a vida não vale mais a pena.
Hoje sei que isso é uma bobagem, mesmo que interessante.
Quando não temos mais a capacidade de ler, ouvir, ou mesmo compreender um livro ou um filme, sempre será possível receber o afeto de quem nos presenteia.
Ontem ganhei uma caneta de meu irmão, fiquei feliz.
Mas há presentes ainda mais singelos, um convite inesperado, uma mensagem sincera, ou só ouvir a voz de alguém que nos envia um pouco de coragem, enfim qualquer coisa que nos traga paz já um presente e tanto.
Afinal....
"só podemos nos dar o amor do qual todas as outras coisas são símbolos..."
Borges
quarta-feira, 27 de julho de 2016
A primeira vez
Eu só fui viajar para o exterior depois dos quarenta. Quando entrei no avião e me dei conta do que ia fazer fiquei pasmo. Logo no começo do voo começou a passar "O diabo veste Prada" com a música da KT Turnstall (Suddenly I see). Até o hoje essa música me enche de alegria!
Na maioria das vezes a primeira vez nem é tão boa assim, muitas vezes é preciso prática e treino para aproveitar, mesmo assim a primeira vez fica marcada na memória.
Nesse mês tive a oportunidade de ver a felicidade de minhas alunas ao participar de um congresso internacional, de viajar, de apresentar um trabalho em língua estrangeira, de viajar e ver o mundo.
Sei que essa experiência vai ficar marcada para elas e a cada vez que via a felicidade delas eu me sentia muito feliz e orgulhoso de estar participando dessa experiência.
Para ilustrar uma foto na Plaza Mayor e minha cara de felicidade!
Na maioria das vezes a primeira vez nem é tão boa assim, muitas vezes é preciso prática e treino para aproveitar, mesmo assim a primeira vez fica marcada na memória.
Nesse mês tive a oportunidade de ver a felicidade de minhas alunas ao participar de um congresso internacional, de viajar, de apresentar um trabalho em língua estrangeira, de viajar e ver o mundo.
Sei que essa experiência vai ficar marcada para elas e a cada vez que via a felicidade delas eu me sentia muito feliz e orgulhoso de estar participando dessa experiência.
Para ilustrar uma foto na Plaza Mayor e minha cara de felicidade!
domingo, 10 de julho de 2016
Vitória e Merecimento
No momento da largada da minha primeira maratona meu sábio amigo de corridas me disse:
- A vitória é estar aqui. Daqui para frente é festa, comemoração.
No meio da tensão da corrida, do medo de não conseguir terminar bem, da expectativa da primeira vez, aquela fala me acalmou. Na hora eu nem entendi bem porque.
Depois da corrida, conversando, pude compreender melhor.
A vitória era ter se preparado adequadamente, estar bem, não fazer nenhuma loucura e saber-se capaz, merecedor.
Em breve vou participar de mais um congresso internacional, será mais um para mim. Será o primeiro para minhas alunas.
Vou dizer para elas o mesmo:
- A vitória é estar aqui. Daqui em diante é festa, comemoração.
A vitória foi ter conseguido o aceite, ter conseguido o financiamento, vencido barreiras e medos.
Corri outras maratonas depois.
Elas vão participar de muitos outros eventos.
- A vitória é estar aqui. Daqui para frente é festa, comemoração.
No meio da tensão da corrida, do medo de não conseguir terminar bem, da expectativa da primeira vez, aquela fala me acalmou. Na hora eu nem entendi bem porque.
Depois da corrida, conversando, pude compreender melhor.
A vitória era ter se preparado adequadamente, estar bem, não fazer nenhuma loucura e saber-se capaz, merecedor.
Em breve vou participar de mais um congresso internacional, será mais um para mim. Será o primeiro para minhas alunas.
Vou dizer para elas o mesmo:
- A vitória é estar aqui. Daqui em diante é festa, comemoração.
A vitória foi ter conseguido o aceite, ter conseguido o financiamento, vencido barreiras e medos.
Corri outras maratonas depois.
Elas vão participar de muitos outros eventos.
segunda-feira, 27 de junho de 2016
"Se não fossem as minhas tias com todos os mimos, não seria eu"*
“A gente é feito prá acabar..” como está na belíssima música
do Marcelo Jeneci. Mesmo assim, mesmo sabendo que essa é a única verdade
absoluta e mesmo que a pessoa que vai já cumpriu seu tempo e a passagem é mais
um descanso que uma perda, mesmo assim sentimos a dor da perda.
Eu tenho a benção de pertencer a uma família numerosa e
longeva. Isso faz com que tenha primos segundos da mesma idade, tias e tios
avós que são como tios e tias. Por ser dos mais velhos eu tenho a lembrança de
duas bisavós. E não é aquela coisa de estar vivo ao mesmo tempo, mas sim de
lembrar da minha bisavó passando a mão na minha cabeça.
Por essas razões de idade eu tenho muitas lembranças
agradáveis dos meus avós, de brincadeiras de crianças, de ficar no colo, de
ouvir histórias, lembranças mágicas!
Essa alegria de conviver com meus avós foi muito boa e,
mesmo sendo dos mais velhos, fica um gostinho de quero mais. Nesse ponto entra
outra maravilha de estar numa família numerosa e longeva. As brincadeiras e
histórias dos meus avós se repetiam nas minhas tias e tios avôs. Era como se
meu avô ainda permanecesse um pouquinho mais conosco pelas mãos de seus irmãos.
Ver meu tio-avô brincando com seu neto as mesmas
brincadeiras que meu avô fazia comigo me enchia de alegria e reforçava ainda
mais o laço de união da família. Ouvir da minha tia-avó as histórias do meu avô
era trazê-lo de volta a mim, com muito carinho.
Nessa semana nos despedimos da irmã caçula do meu avô. Ela
continuava a trazer a lembrança do meu avô e de seus irmãos para mim, e
acredito que para muitos dos meus familiares. Conversar com ela era ainda ter
um pouco do meu avô por perto. Isso sem falar na alegria dos momentos que
passamos juntos, das férias em São Paulo, da primeira viagem de Metrô, das
histórias de família, de ouvir as músicas.
Agora que ela não está mais aqui entre nós, vou tentar
retribuir e mostrar que aprendi a lição. Contar para meus sobrinhos as
histórias que ouvi, fazer as brincadeiras que aprendi e manter a tradição da
família: laços bem fortes e unidos.
*Emprestado da música da Clarice Falcão.
terça-feira, 17 de maio de 2016
A história dos dois que sonham...Texto completo
O texto completo da minha peça/festa de aniversário pode ser baixada em:
Texto completo
Espero que goste!
Texto completo
Espero que goste!
Presente
O dicionário Priberam da Porto Editora dá para a palavra 'presente' o seguinte significado:
Como adjetivo
1. Que está no lugar de onde se fala, ou de que se fala.
2. Que está no tempo de onde se fala, ou de que se fala.
3. ...
....
Como substantivo:
6. O tempo atual.
7. A pessoa que assiste ou assistiu a algum acontecimento.
8. Coisa oferecida a alguém
...
O dicionário Houaiss informa que origem vem do latim, do que está à vista, que assiste.
Interessante notar que nas línguas latinas o sentido de 'presente' como algo que dá a alguém é feito por palavras diferentes, como 'regalo' em italiano e espanhol, ou 'cadeau' em francês, em alemão é 'Geshenk' e em inglês 'gift'. Nessas duas últimas existe uma palavra para presente como adjetivo originada do latim.
A língua portuguesa tem essas peculiaridades. Palavras diferentes e específicas.
Estava pensando na palavra e nos presentes que recebi por ocasião do meu cinquentenário. Vários presentes deliciosos, delicados, gentis. Todos, sem exceção, vindos com um gesto de carinho muito tocante. Recebi bebidas, eletrodomésticos, gravata, carteira, cd, dvd, pijama, livros, bibliocantos, chocolates, porta-retrato, ingresso para a olimpíada...
E é claro o presente da festa em si, da dedicação da minha família para realizar meu sonho.
Mas a razão da palavra 'presente' ainda me incomodava, porque não como o italiano com o sentido daquilo que alegra, ou do inglês para o que é dado?
A explicação me veio ao começar a usar os presentes. Fui fazer uma panqueca para jantar e o eletrodoméstico me fez lembrar de minha irmã, fui trocar a carteira velha pela nova e de novo os donos do presente me vieram à lembrança.
As pessoas se tornam presentes a cada instante que uso ou lembro do que me foi dado. O objeto traz a pessoa até aqui e isso sim é o que mais alegra!
Como adjetivo
1. Que está no lugar de onde se fala, ou de que se fala.
2. Que está no tempo de onde se fala, ou de que se fala.
3. ...
....
Como substantivo:
6. O tempo atual.
7. A pessoa que assiste ou assistiu a algum acontecimento.
8. Coisa oferecida a alguém
...
O dicionário Houaiss informa que origem vem do latim, do que está à vista, que assiste.
Interessante notar que nas línguas latinas o sentido de 'presente' como algo que dá a alguém é feito por palavras diferentes, como 'regalo' em italiano e espanhol, ou 'cadeau' em francês, em alemão é 'Geshenk' e em inglês 'gift'. Nessas duas últimas existe uma palavra para presente como adjetivo originada do latim.
A língua portuguesa tem essas peculiaridades. Palavras diferentes e específicas.
Estava pensando na palavra e nos presentes que recebi por ocasião do meu cinquentenário. Vários presentes deliciosos, delicados, gentis. Todos, sem exceção, vindos com um gesto de carinho muito tocante. Recebi bebidas, eletrodomésticos, gravata, carteira, cd, dvd, pijama, livros, bibliocantos, chocolates, porta-retrato, ingresso para a olimpíada...
E é claro o presente da festa em si, da dedicação da minha família para realizar meu sonho.
Mas a razão da palavra 'presente' ainda me incomodava, porque não como o italiano com o sentido daquilo que alegra, ou do inglês para o que é dado?
A explicação me veio ao começar a usar os presentes. Fui fazer uma panqueca para jantar e o eletrodoméstico me fez lembrar de minha irmã, fui trocar a carteira velha pela nova e de novo os donos do presente me vieram à lembrança.
As pessoas se tornam presentes a cada instante que uso ou lembro do que me foi dado. O objeto traz a pessoa até aqui e isso sim é o que mais alegra!
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