domingo, 6 de março de 2016

Formatura 2ª e 3ª turma de Engenharia de Produção - UFU - Ituiutaba

Os alunos da 3a. turma de engenharia de produção me homenagearam na sua formatura. Fiquei lisonjeado.
O presente recebido e que será guardado com muito carinho é esse da foto.


O discurso que proferi em agradecimento é esse:
Prezado Prof Daniel França Lazzarin, coordenador do curso de engenharia de produção; Prof. Amilton Silva Júnior, professor do curso de engenharia de produção, na pessoa de quem cumprimento os demais colegas aqui presentes; meus queridos afilhados, agora colegas; senhoras e senhores; boa noite.
De onde estou posso falar o que vejo. Vejo uma bela carga de emoção nessa sala, vejo o olhar orgulhoso daquele pai, vejo a satisfação no rosto daquela mãe, vejo a admiração incontida no rosto daquele irmão mais novo. Vejo uma satisfação infinita no rosto desses meus colegas.
Porém vejo mais do que isso, vejo uma sala repleta de sonhos. Vejo sonhos que aqui se concretizam, vejo sonhos que suplantaram inúmeras dificuldades, sonhos que nasceram há mais de cinco anos e exigiram noites de sono, fins de semana, longas horas de estudo. Vejo sonhos que superaram Jorges, Gleyzers, Antonios...
Enfim, o sonho de ser engenheiro se realizou.
Schiller, um escritor alemão disse que se deve respeitar os sonhos da juventude. (Não vou falar é só para ter se precisar “Man soll für die Träume seiner Jugend Achtung tragen”).
Esse respeito, no caso, refere-se a si mesmo. Ou seja, você deve respeitar seus sonhos de juventude, mantê-los vivos e verdadeiros. Isso porque sonhos não envelhecem, basta o sonho se realizar que ele renasce em outro sonho. Os sonhos que nasceram lá atrás se renovaram em sonhos que agora nascem, sonhos de atuar profissionalmente, de conquistar autonomia, de fazer o mundo um pouco melhor com base no conhecimento próprio. E eu sei que alguns desses sonhos já começaram a se realizar.
De onde estou fico embevecido ao ver essa sala assim repleta de sonhos, especialmente porque eu também pude participar desses sonhos. E quando se participa de um sonho próprio da juventude ficamos um pouco mais jovens também.
Daqui onde estou fico orgulhoso e feliz por vocês. Fico grato aos pais, familiares, amigos e toda a rede de pessoas que os ajudaram a chegar até aqui. Fico lisonjeado por ter sido convidado a estar aqui nesse momento. Mas mais do que tudo fico imensamente grato por vocês terem compartilhado comigo os seus sonhos de juventude, por terem compartilhado comigo um pouco da sua juventude, por terem permitido que eu me tornasse um pouco mais jovem. Obrigado.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Bronca

Não faz muito tempo minha filha me deu uma bronca. Dizendo que eu falava muito em um grande amigo de infância, contava para ela as lembranças de futebol de botão, de idas ao sítio, de estudar junto e que eu não retomava essa amizade.
O tempo vai passando, a vida vai levando a gente para lugares e situações diferentes e a correria do dia a dia nos afasta dos amigos.
Reconheci a bronca e fui fazer uma visita ao José Rubem. Foi ótimo! Passamos um tempão lembrando de fatos e pessoas, rindo e se emocionando. Contei para ele a bronca da minha e ele se solidarizou comigo, dizendo que ele merecia metade da bronca.
Ontem eu recebi um telefonema de um amigo que não via há quase dois anos. Ele começou a conversa animado e alegre, como sempre. Em seguida perguntou se eu estava chateado com ele por algum motivo que ele não soubesse, se ele, sem querer, ou sem perceber, havia feito algo que me chateasse. Eu respondi que não, de maneira alguma. Ele ainda insistiu e lembrou nossa amizade para dizer que entre nós não haveria dificuldade ou frescura em falar se houvesse. Eu reafirmei que não havia nada ele que houvera feito que me chateasse.
Então, ele me deu uma senhora bronca. Merecida. Retomamos a conversa e demos muitas risadas. Lembramos especialmente as longas conversas no estacionamento depois de um dia inteiro de trabalho em que eu sorvia a sabedoria do José Paulo para aplicar em minhas aulas.

domingo, 10 de janeiro de 2016

O truque do desaparecimento.

No blog: Homem é tudo palhaço (http://tudopalhaco.blogspot.com.br/), aliás muito divertido. As autoras informam de uma forma bem-humorada que o truque do desaparecimento é o mais comum dos que homem que se apresentam nos picadeiros.
Fiquei pensando na razão desse truque. Porque os homens simplesmente desaparecem. A resposta é bem simples. É fácil e eficaz, funciona. Não dói. Não precisa mentir
O contraponto é que a opção de uma conversa aberta e sincera pode levar a um julgamento do tipo: “mas ontem mesmo você falou isso e aquilo”. O que envolve uma cobrança desagradável. Ou então levar a uma insistência grudenta e também desagradável.
A parte dura é que machuca, magoa. Os homens sabem disso e, se lançam mão desse truque baixo, é porque não se importam com a dor da outra pessoa. O que torna o truque ainda mais sórdido.
No mundo virtual esse truque é ainda mais fácil, basta descombinar, excluir, silenciar, ou simplesmente não responder. Não é por ser mais fácil que torna menos doloroso.
As razões da escolha do truque do desaparecimento podem ser inaceitáveis, mas são compreensíveis e não são exclusividade de gênero.

No fundo sabemos que o desaparecimento é uma escolha de como terminar um relacionamento.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Capilaridade


Vem de cabelo. Aquilo que é fino como um fio de cabelo. Às vezes, muito mais fino, até.
Em marketing ganha um novo significado, aquilo que se estende muito, até o consumidor final. Várias unidades de um hotel de modo a atingir uma maior parcela do mercado. Nesse sentido as consultoras de produtos de beleza são os maiores agentes da capilaridade no marketing. Estando em todas as partes e atingindo todas as pessoas. Quem não conhece uma consultora da Natura, do Jequiti ou da Avon?
Estão do nosso lado e entram em nossa casa, oferecendo coisas boas que servem para elas mesmas inclusive.

Uma vendedora da Avon precisa ter a confiança da dona da casa para oferecer o seu produto. E há vendedoras tão boas, tão sagazes, que oferecem  justamente o que a cliente mais precisa.  Faz com que a confiança inicial se alastre e aí abrimos não somente a porta da casa, mas também a porta do coração.

domingo, 4 de outubro de 2015

Doze livros

A Emília do Sítio do Pica-pau Amarelo sugeriu livros comestíveis. Ir lendo e comendo. Devorando com os olhos e com a boca. Com isso se dava uma utilidade ao livro já lido.
Eu decidi, desde algum tempo, que terei somente 12 livros na minha biblioteca. Doze sendo um número totalmente arbitrário, poderiam ser 10 ou 15, mas eu escolhi 15. Também não coloquei data para essa limpeza na minha biblioteca, mas já faz algum tempo que leio e empresto, dou, entrego na biblioteca e assim não vou carregando livros comigo.
Recentemente comentei isso com um amigo e a reação foi a de sempre, que é impossível ter somente 12 livros.
Então eu resolvi fazer a minha lista e olha que o difícil foi mesmo achar 12 livros que mereciam estar em uma biblioteca tão reduzida.
Ah...Livros com mais de um volume, ou uma trilogia, contam como sendo um só. Afinal a regra é minha e para mim.
Aqui vai a minha lista:
  • Jorge Luís Borges - Obras Completas 
  • As mil e uma noites
  • Yukio Mishima - Mar de Fertilidade
  • Milorad Pavitch - O Dicionário Kazar
  • Stephen King - JFK
  • Jung - O homem e seus símbolos
  • N. Wirth - Algoritmos e Estruturas de Dados
  • Lygia Bojunga - Meu amigo pintor
  • João Ubaldo Ribeiro - Viva o povo brasileiro
  • Arthur Clarke - O fim da infância
  • Gilberto Freyre - Casa Grande e Senzala
  • Andre Comte-Sponville - Pequeno Tratado das Grandes Virtudes
Não há ordem de importância e nem estou preso a esses livros somente.
Foi interessante fazer a minha lista.
E você? Até quantos livros guardaria e quais?

domingo, 13 de setembro de 2015

Havia um índio....

Folhas de caderno único para redações. Era assim que fazíamos quando estava no segundo ano, lá pelos idos de 1976. Fazíamos a redação como lição de casa e entregávamos a folha para a professora que devolvia com as correções. Chamamos isso de fichário hoje em dia, só que eram da metade do tamanho.
Não era das tarefas mais agradáveis, mas também não era tão ruim assim. Dava para imaginar coisas bem divertidas.
Lembro-me especialmente de uma redação que fiz sobre cinco amigos que entraram floresta adentro. Em um dado momento um deles resolve ir sozinho e se perde do grupo. Escrevi assim:
Havia um indo...
Só que a professora se confundiu com minha letra, ou estava com muita pressa, não sei, e corrigiu a palavra indo para índio. Enfim, entrou um índio na história e ficou estabelecida a confusão.
Confusões como essa aconteceram inúmeras vezes, muitas quando de correções do mestrado e do doutorado. Lembro de mudar algo de A para B e na outra revisão receber a sugestão de mudar de B para A. Mudanças no título de trabalho, então, nem se fala.
Não ficava irritado com isso, lembrava da história do índio.
Hoje, sou eu que faço as sugestões nos trabalhos dos meus alunos. A população de índios segue aumentando.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O segundo melhor presente do dia dos pais

Que o dia dos pais tem um apelo comercial maior do que deveria, não é novidade para ninguém. Mesmo assim é bom ter datas específicas para nos lembramos de comemorar alguns fatos.
Presentes dos dias dos pais nos lembram gravatas, aparelhos de barbear e outras coisas assim bem masculinas.
Eu ganhei os porta-canetas, porta copos e canecas ao longo dos anos como pai. Sempre fiquei feliz com esses presentes.
Da convivência com os filhos o mais importante é o que a gente consegue fazer juntos, aquilo que passa de pai para filho e continua. Meu pai transmitiu o gosto por música. Ouvir com admiração, se deleitando com o prazer que música nos dá. Também acho que passei isso para minha filha.
Acontece que o gosto musical vai mudando de geração para geração, e também muda com a idade. Não dá para querer que os filhos jovens gostem de músicas de velhos, e nem que velhos gostem de músicas dos jovens. Em algum momento pode acontecer do jovem já não ser mais tão jovem e o velho não ser tão velho e então acontece do gosto musical coincidir.
Minha filha percebeu esse momento e me deu de presente um pen-drive com músicas que gostamos juntos: Clarice Falcão, Anavitória,  Banda do Mar, Tiago Iorc e 5aSeco, do qual sugiro: Geografia Sentimental.
Foi o segundo melhor presente que ganhei nos dias dos pais!


E o melhor?

O melhor foi quanto soube que ia ser pai!