terça-feira, 25 de março de 2014

Presente intempestivo

Uma nova fase começa, o que significa também que uma outra fase se encerra. Estive vinculado, de várias formas, à Unimep desde 2001.
Nesse período fui aluno, professor, pesquisador, coordenador de curso e coordenador de TI. O que mais me encantou foi gerenciar a Incubadora de Empresas de Santa Bárbara.
Muitas portas se abriram, muitas novidades aconteceram e mais do que tudo conheci pessoas maravilhosas. Pessoas empreendedoras são otimistas por sua própria natureza, tendem a ver o lado positivo das coisas e avançar, sempre avançar não importam quais obstáculos se apresentem.
A saída da Unimep foi uma decisão madura e pensada. Ter que deixar a Incubadora foi um preço a pagar.
Na saída fui surpreendido pelo carinho das pessoas de lá que me deram um presente intempestivo. Intempestivo não no sentido de inoportuno, mas no sentido de que não vem no tempo certo.
Ganhei um relógio com monitor cardíaco. Fiquei muito emocionado e grato. Meu coração balançou e eu precisava estar usando o relógio para controlar os batimentos.
A todos da Incubadora meu muito obrigado e que tenham a certeza de que fui muito feliz trabalhando com vocês.
Cada batimento anotado pelo relógio será uma lembrança de vocês.

Pregar aos peixes


Passei no concurso para professor na Universidade Federal de Uberlândia, Campus Pontal, em Ituiutaba.
Estava um pouco chateado com o concurso da Unicamp e um pouco descrente dos concursos que incluem critérios por demais subjetivos, mesmo assim fiz o concurso e passei.
Feito isso era pensar em assumir ou não. De um lado a carreira acadêmica pura. De outro a possibilidade de atuar no mundo corporativo e eventualmente dar aulas, que era o que eu vinha buscando.
Pesei prós e contras. Utilizei a técnica de tomar a decisão e dormir, para ver se o sono vinha tranquilo ou agitado. Consultei o I-Ching. Mas nada me dava a tranquilidade da decisão.
Então fui à Catedral de Santo Antonio em Piracicaba, que é até modesta considerando a cidade e o santo.
Os vitrais laterais da catedral tem imagens dos milagres de Santo Antonio, em um deles o de Santo Antonio pregando aos peixes (a figura não é da Catedral). E essa imagem me deu a indicação da minha decisão. O que mais gosto de fazer é dar aulas, é isso que me faz feliz. Outras atividades completam o meu fazer.
Sendo assim a decisão está tomada. Assumo o cargo de professor em Ituiutaba no começo de maio.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Missão
(Foto das Missões Jesuítas por http://petitverdotvinhos.blogspot.com.br/)

Assisti uma palestra com o capitão do BOPE que treinou os atores para o filme Tropa de Elite. A palestra foi excelente, muito animada, com muitas informações e até uma atividade prática.
Uma das coisas que ficou foi o poder da missão. No sentido de encargo, desempenho de uma função, somado ao significado de ser enviado, uma pitada missionário com um forte sentido de dever a ser cumprido.
Quando recebemos uma missão mantemos o foco nisso e fazemos de tudo para cumprir. Ele diferenciou ordem de missão. Ao receber uma ordem a gente cumpre a ordem, faz o que se tem que fazer, o que nem sempre é o suficiente para resolver o problema. Uma missão não, quem recebe uma missão resolve o problema.
Se nos mandam varrer o quintal, passamos a vassoura por todo o quintal. Isso é uma ordem. Uma missão seria: deixar o quintal limpo. O que pode exigir varrer o quintal e ainda assim catar a sujeira que passou pela vassoura e arrumar as coisas no quintal.
Eu mudei de emprego e tenho logo de início uma missão a cumprir, que pode até definir a minha permanência ou não. Essa missão não é possível de se dar conta sozinho, preciso de mais gente que aceite participar. Então chamei amigos e colegas de trabalho para encarar essa missão comigo.
Alguns não responderam, outros responderam que não poderiam, e outros aceitaram essa missão comigo. Com os que estão comigo sei que vamos dar conta e além da recompensa financeira teremos a sensação de cumprimos com o nosso dever, aquele orgulho gostoso de saber que somos capazes!

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Minha família tem laços




Ora essa, toda família tem. Sim. Mas até pouco tempo atrás eu não tinha ideia da completude que o termo laço tem para as relações familiares e como algumas relações da minha família são exatamente como laços.

A primeira coisa a dizer é que laços unem, e as relações familiares nos tornam unidos, estamos juntos e somos um, uma família.

Laços podem ser desfeitos, por isso se diz que tal relação se tornou “um nó”, no sentido negativo. Pois essa relação já não se pode desfazer, mesmo que se queira. Um laço não, um laço se desfaz. E pode se desfazer por vários motivos. Um lado que puxa mais que o outro, as tensões e os movimentos da vida, os laços vão se esgarçando e se desfazem, sem estrondos, sem arroubos, se desmancham somente.

Por isso é preciso que os laços sejam sempre reapertados, refeitos, reajustados às mudanças que o tempo impõe. E assim é na família. Os familiares precisam se encontram, se abraçam, conversar, demonstrar o carinho um pelo outro e manter os laços firmes, frouxos ou apertados, mas unidos.

Assim é minha família, que tem a característica muito gostosa de manter laços longos. Longos na distância física, longos na distância de parentesco. Minha prima em Londres e minha prima em Maringá estão próximas e nem são primas no sentido estrito, a prima de mãe é minha prima e não me importa, estamos unidos.

Laços conseguem dar a sensação de segurança e ao mesmo tempo de liberdade. Laços longos e múltiplos dão a segurança de um rede, seja de proteção para pular no trapézio, seja de descanso à sombra de uma mangueira.

Sou feliz e grato por pertencer à uma família com tantos laços.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Papai Noel
E eu pareço um Papai Noel?


Na corrida em Iracemápolis eu consegui o meu melhor tempo no ano, 10 km em 53 minutos. Fiz uma corrida ótima, terminei bem e ainda me diverti a valer durante a corrida. Fiquei em sétimo na categoria (tudo bem, tinham somente sete na minha categoria).
Iracemápolis é uma cidade minúscula, pertinho de Limeira e não muito longe de Piracicaba e Santa Bárbara. Sua figura mais ilustre é o Elano, que joga no Grêmio e participou da seleção brasileira em 2010. Aliás, ele foi um dos patrocinadores da corrida.
Os moradores de cidades grandes brincam de chamar Iracemápolis de Munisítio, e teve um prefeito de lá que cogitou a ideia de cercar toda a cidade. Antes da corrida a gente zombava dizendo que não haviam 10 km na cidade.
Pois a corrida foi muito agradável, o povo gentil, corrida plana, bastante água e bem organizada, o que nem foi tão difícil assim pois tinham 55 corredores para os 10K.
Logo na primeira volta eu peguei um copo de água no posto de distribuição, furei com o dedo, bebi um ou dois goles, joguei um pouco na cabeça e joguei o copo no chão, como se faz normalmente.
Uns meninos que estavam na praça, ao me verem fazer isso gritaram:
- Ô papai noel, joga na lixeira!
! E eu pareço um Papai Noel?
Na segunda volta eu fiz o mesmo só não joguei o copo no chão, os meninos começaram a falar:
- A lixeira, a lixeira.
E eu, brincando:
- Aonde? Não vejo.
- Aí, bem em frente.
Assim que eu coloquei o copo na lixeira eles me aplaudiram.
Vejam a foto da corrida, quando eu fazia o retorno dos 5K. Posso parecer qualquer coisa nessa foto horrível, mas um Papai Noel, não.



PS. Tirei a barba.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Até as pedras se encontram - parte III

A viagem de carro de Chicago até Nova York não foi o que eu esperava. É uma parte chata dos EUA, estrada boa, mas nada especial para ver. Viajei bem, dormi nos motéis e consegui chegar até antes do que pensava. Nenhum problema, mas nada de especial.
Acontece que cheguei em Nova York na noite anterior do que esperava, achei um lugar para ficar e na manhã de sexta-feira fui devolver o carro. E o meu calvário começou. Trânsito, alças, viadutos, aeroporto, entrada, saída, gasolina acabando, para no posto, gasta 10 dólares, volta, trânsito, alça, viaduto, aeroporto e lá vai. Pronto. Consegui chegar, devolvo o carro e me sinto mais leve. Ufa!
Do aeroporto de Newark para o hotel eu tenho que pegar um trem até a Newark Penn Station e de lá o metrô. No aeroporto eu vou até a estação e percebo que não tenho trocado :(. Uso meu cartão de crédito para pagar a passagem e consigo chegar na Penn Station. Lembre-se: era sexta-feira de manhã, dia útil. Estação cheia e uma confusão, as máquinas de vender bilhete estavam quebradas, só uma que aceitava moedas. Começo a andar na estação procurando uma solução, saio da estação e tento trocar o dinheiro, não consigo. Pergunto a uma funcionária onde posso comprar bilhetes, ela me informa que as máquinas estão quebradas. Subo na plataforma e vejo guardas, cães e o pessoal tentando consertar as máquinas.
Eu já nem sei o que fazer e começo a circular enquanto penso o que fazer.
Desço uma escada e ouço na escada rolante oposta:
- Álvaro!
Olho e não acredito. Meu ex-aluno Rafael me reconheceu.
Que alívio, foi um anjo que me apareceu, me tranquilizou, explicou sobre os bilhetes, as máquinas, me informou de um caixa eletrônico e tudo foi resolvido.
Foi algo mágico.
Nem sei como agradecer.

PS. No voo de volta encontro outro aluno.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Até as pedras se encontram - parte II

photo by: Cowtown Lutheran

Minha prima está em Londres a tanto tempo que nem me lembro mais. Sei que ela foi para lá em 1986 quando meu tio foi fazer o doutorado. Lá ela ficou.
Minha amiga cantora foi para Londres fazer o mestrado e lá ficou.
Nas vezes em que estive em Londres sempre as visitei e é claro falei de uma para outra. Mas Londres é uma cidade grande, agitada e cada qual tem sua vida, seus compromissos, seus interesses.
Um belo dia recebo duas mensagens, uma de minha prima, outra de minha amiga cantora. Elas finalmente se encontraram e se reconheceram pela minha pessoa.
Eu ainda não sei como elas se reconheceram, minha prima me chama pelo apelido, minha amiga pelo primeiro nome. Imagino o que conversaram, o quanto tiveram que se falar para achar os pontos comuns.
Sei que fiquei feliz com o encontro, quem sabe da próxima ver que for a Londres consigamos estar todos juntos.