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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Foguetes




Lins, 1970.
Mesmo no interior de São Paulo a corrida espacial era o assunto de todos. No meu aniversário de 6 anos o bolo foi cortado em pedaços, embrulhado em papel alumínio e montado na forma de um foguete.
Naquela época eu também ganhei uma revista que vinha com todos os assuntos da NASA e um kit para fazer o seu próprio foguete. Meu primo me ajudou a descobrir que efervescente era o Sal de Fruta e assim brincamos vários vezes com o foguete.
Depois, eu fiz esta mesma brincadeira com vários sobrinhos, usando um tubo de Cebion.
Berlin, 2010.
Na volta de Berlin um trem superlotado. Lugar somente no vagão para bicicletas e carrinhos. Conseguimos sentar nos assentos reclináveis. Uma mãe com dois filhos, um menino de 8 e uma menina de 6, sentou-se ao meu lado. As crianças ficaram do lado oposto, num ressalto entre a parede e a máquina de vender bilhetes.
A menina sentada num assento para bebes e o menino folheando uma revista. Todo empolgado ele retirou o kit que acompanhava a revista. Um modelo de foguete, parecido com o ônibus espacial e uma base. Eu não pude deixar de sorrir. Ele leu as instruções com vagar e disse para a mãe:
É um foguete de verdade! Tem que por fermento na base e vinagre aqui. O foguete voa mesmo!
A mãe não acreditou e tentou reduzir as expectativas do filho para evitar uma frustação. Eu não me contive e confirmei para a mãe, contando que tive um quando tinha a idade dele.
O menino sorriu satisfeito e eu fiquei meio bobo por vários kilômetros, na fria neve da Alemanha, lembrando do calor Lins.

PS para a Marga
A mãe dos meninos estava lendo um livro de Sándor Márai.