Este é um post sobre lembranças, basicamente isso, ou melhor, somente isso.
Recentemente minha irmã achou uma foto de um aparelho de som antigo e perguntou se era o mesmo do meu avô materno.
Parecido. Não igual. O do meu avô era sim um móvel grande madeira com um rádio com ondas médias e ondas curtas e um olho mágico, tinha uma vitrola para 78, 45 e 33 rpm. Um grande alto falante do lado direito.
Fiquei triste pois era eu o guardião deste aparelho e não desempenhei bem esta função, ao longo de mudanças o móvel se perdeu. Uma pena.
Essa lembrança me avivou outras lembranças. Lembrei do som estéreo e Hi-Fi do meu pai.
Esse era da Philips (se me lembro bem), também com olho mágico e botões para mudar de estação.
Música sempre fez parte da minha vida, com sesões temáticas a cada refeição. Todo almoço e jantar era regado ao som de Big Bands.
Essas lembranças foram ainda mais reavivadas com o lançamento do livro "STEREO AS TRANSFORMATION: The Artistic Revolution of Two-Channel Sound" (https://simplissimo.com.br/produto/stereo-as-transformation-ebook-epub/).
Neste livro meu tio narra a transformação do som estéreo, uma delícia de ler.
Eu me lembrei de visitá-lo em São Carlos quando ele era um estudante de engenharia e fez um negócio com meu pai (não sei se vendeu, trocou, deu...) um toca fita da Philips com um amplificador. Na época eu fiquei fascinado com a explicação de como fazer uma solda! Esse toca fitas fornecia as músicas nas manhãs em que meu pai se barbeava. Naquele tempo ouvíamos as mesmas fitas e discos várias e várias vezes.
Foi meu tio que me explicou um dica como era o som estéreo e a espacialidade que ele proporciona, dias depois eu mostrei a ele como tinha entendido isso com a música Coração Brasileiro (Milton Nascimento) em que se 'enxerga' um caminhão passando da esquerda para a direita.
Lembrei também do dia em que mostrei a ele meu 'walkman' e ele ficou impressionado com a qualidade sonora em um aparelho tão pequeno. Estávamos a ouvir Gal Costa.
Eu realmente acho que a vida tem uma trilha sonora e sou grato por ter tido uma família que me proporcionou uma trilha sonora tão rica.


Muito boas suas observações. Interessante como um fato, ao ser relatado, pode desencadear muitas lembranças.
ResponderExcluirLembro-me de meu pai, que possuía um gravador portátil Collaro, recebendo insistentes pedidos dos filhos para tocar "a música do cavaquinho" (Kid Cavaquinho, interpretada por João Bosco) e também a "Piloto, Berico e Timbó" (Meus três cachorros, interpretada por Paulinho Nogueira).
ResponderExcluirAté hoje me emociono quando as ouço.