sexta-feira, 20 de abril de 2018

Pagamento


São vários os nomes para o pagamento: salário, rendimento, vencimento, remuneração, ordenado, honorários, retribuição, paga, provento, estipêndio, emolumento, diária, soldada, soldo, jorna, jornal, féria.... e também as gírias como: cascalho, agrado, cervejinha...sendo que essas são usadas mais para pagamentos menores e esporádicos.
Enfim, por um trabalho uma retribuição. É isso que diferencia amadores de profissionais.
Uma outra forma de pagamento sempre acontece, com profissionais e amadores, e que é muito maior do que qualquer valor financeiro, é a satisfação do trabalho bem feito. O pedreiro contempla com um sorriso no rosto o muro bem alinhado, a parteira se lava feliz ao ver a mãe amamentando o recém-nascido, a pediatra não esconde a satisfação da criança que estava doente brincando. São inúmeros os exemplos. E valem para qualquer profissão.
Essa semana recebi duas retribuições imensamente satisfatórias para a minha profissão de professor:

“Boa tarde Antonio, tudo bem? Estou passando para avisar que fui aprovada no TCC e isso é mérito seu também!! Agradeço por tudo.”

“Obrigada, Antonio! Mais uma vez seus ensinamentos foram fundamentais, agora em contato direto com tecnologia e IoT.”

quinta-feira, 29 de março de 2018

Re-encantamento

Eu comecei a dar aulas tardiamente. Só depois de anos com experiência de engenheiro e isso foi em 2002, ainda no Guarujá. O tempo vai passando e já tenho 16 anos de experiência docente.
Lembro do encantamento da primeira turma, do nome de vários alunos, do nervoso a cada aula, a cada prova. Esse encantamento vai desvanecendo com o tempo, como pode ser visto no cartum do site phdcomics
O grande problema desse desencantamento é que ser perde toda a possibilidade de considerar o aluno como protagonista do aprendizado, de colocá-lo no centro e como personagem principal de nossa atuação docente.
Alguns sinais são claros desse desencantamento: as aulas ficam iguais semestre a semestre, as provas não mudam mais, os exemplos envelhecem, as respostas ficam padronizadas, as surpresas desaparecem. Sabemos quais serão as perguntas e os erros dos alunos.
O exercício docente exige uma atenção especial e um re-encantamento contínuo. O contato com os jovens rejuvenesce, precisamos nos permitir a continuar jovens e encantados. Sempre.

terça-feira, 13 de março de 2018

Café

Sim. É um pé de café.
Que de pronto me fez lembrar do café preto. Mas também dos pés de café que via na estradas, nas histórias de cafezais em Botucatu. Do terreiro para secar café. Do café da D. Therezinha que nunca faltou.
Café que me faz pensar nas cápsulas das maquinhas de hoje, com café bem saboroso. Dos sachês de café gourmet. Do café Tijucano em Ituiutaba, do café Yara em São Carlos e de tantos outros.
Pois o pé de café da foto está na Rua Diana, bem em Perdizes, São Paulo. No meio de prédios comerciais e residenciais. Não muito distante do Allianz Parque.
Andando por São Paulo, no meio do cinza e do asfalto me deparo com um pé de café. Uma surpresa agradável!

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Novas palavras em 24 horas

Diz a lenda que ao aprendermos uma nova palavra essa palavra irá surgir uma outra vez em menos de 48 horas.
Parece absurdo, mas funciona assim: Passei 50 anos da minha vida sem saber o que é epigenética. Uma pessoa me fala sobre isso e no dia seguinte eu leio uma notícia no jornal falando sobre....epigenética.
Contraria o senso comum de probabilidade.
A explicação pode estar na percepção seletiva, como não conhecia a palavra ela me passava despercebida, quando a conheço presto mais atenção.
Ao descer na estação Paraíso do metrô resolvi fazer um caminho diferente, só para variar e encontro o seguinte painel.
Não dá para ler na foto, mas é parte dos Lusíadas e justamente a parte de Inês de Castro: "Estava linda Inês posta em sossego...."
Justamente os versos que escolhi para o desafio Muroa no Salto do Cavalo.
Não foram 24 horas, nem uma palavra desconhecida.
Mas que foi interessante, isso foi.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Valer a pena

Nossas ações nem sempre levam a resultados esperados. Muitas vezes conseguimos muito mais do achávamos que iríamos conseguir, e nos felicitamos. Outras tantas o resultado é muito inferior e nos frustamos. Entre os dois extremos pode acontecer de tudo um pouco.
O melhor seria fazermos o melhor que podemos baseados no que julgamos o correto, sem esperar qualquer recompensa, isso é muito difícil.
Em algumas situações o resultado nulo pode até ser o melhor resultado, pense em uma comunidade que adquire um UTI móvel, se nunca for necessária temos o melhor resultado. Mas, se essa UTI móvel salvar uma vida, já estará mais do que paga.
Um professor se alegra mesmo que somente um aluno aprenda. A sensação de dever cumprido e a satisfação de quem aprendeu já vale a pena.
Nesse final de semestre tive duas alegrias assim.
Uma direta, pois uma ex-aluna, da qual tive a honra de orientar o TCC foi aprovada num programa de mestrado de excelência. Ela fez questão de me agradecer. Sei que o mérito é todo dela, e mesmo assim fiquei contente de ter plantado uma sementinha.
Outra sensação de valer a pena foi indireta, participei, mesmo que momentaneamente de um programa de auxílio a alunos em uma disciplina bem difícil. Esse programa envolvia uma série de atividades, inclusive uma tutoria por alunos bolsistas. Lembro-me de ter ensinado aos bolsistas o sentido de "Pegar na mão" dos alunos. Ao final do semestre uma das alunas-bolsistas veio me contar, toda feliz, que um dos alunos que ela 'pegou na mão' foi aprovado. Fiquei igualmente feliz.
Essas pequenas alegrias tornam a nossa vida mais leve.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Banheiros

Voltando para São Paulo me deparei com uma novidade no ônibus: dois banheiros. Um para homens e outro para mulheres. De imediato achei interessante. Depois, com alguma reflexão, achei estranho. Porque dois banheiros?
Porque não um banheiro maior? Porque isso não acontece em outras situações similares, como aviões ou trens, por exemplo.
Se você reclama do aperto em um banheiro de avião é porque nunca preciso usar um banheiro de ônibus no centro-oeste brasileiro.
Não é por uma questão de privacidade, no banheiro do ônibus só cabe uma pessoa por vez.
O motivo de ter dois banheiros é para dar mais conforto às mulheres com um banheiro mais limpo. Mulheres tem um lema ao entrar em banheiros públicos: "Não encosta em nada!". Os banheiros masculinos são mais sujos, homens são mais descuidados, para usar uma palavra delicada.
Eu preferia muito mais se os banheiros fossem comuns e as pessoas mais cuidadosas. Aliás, os banheiros em geral poderiam muito bem ser compartilhados, como é alguns lugares. Podíamos ver com mais simplicidade essa questão e preservar, em qualquer espaço, o respeito e a limpeza.
Podíamos conseguir fazer com a que diferença não faça diferença.

domingo, 26 de novembro de 2017

A lenda do corpo seco

Em Ituiutaba, na verdade em outros lugares também, existe a lenda do corpo seco. Uma mulher tão má que nem a terra a aceitou quando morreu. Depois de algumas horas o corpo saia da cova, sem achar a explicação ou uma solução os bombeiros levaram o corpo para uma caverna longe da cidade e o deixaram lá. Essa caverna fica na serra agora chamada de serra do Corpo Seco. Quem tem a coragem de passar por lá diz ouvir gemidos e lamentos de uma mulher.
Essa é a foto do meu quintal. Ao fundo um pé de limão China (ou Cravo em São Paulo) que ficou seco e morreu. Não ouço lamentos e nem gemidos. Mas fiquei triste.